
Pecado, em sua essência, é agir de maneira contrária à vontade de Deus. Nós somos livres para agir de acordo com nosso convencimento, o chamado livre arbítrio e, por isso, somos livres para agir em desacordo com a vontade de Deus. Mas não sem ter um preço, uma consequência. Podemos fazê-lo, mas não podemos escapar de pagar o preço.
O pecado pode acontecer, em essência, de pelo menos três formas, agir, pensar e se omitir. Se agimos em desacordo com a vontade de Deus, praticamos o pecado. Se deixamos de fazer algo que era da vontade de Deus, pecamos por omissão. E se pensamos algumas coisas, como o adultério, já pecamos contra Deus em pensamento.
Iniquidade, por sua vez, é a prática deliberada e reiterada do pecado, em rebelião contra Deus. É uma distorção moral e/ou desobediência contínua a Deus.
Em diversos momentos a terra se encheu do pecado e da iniquidade, atraindo a ira de Deus.
O livro de Isaías, no capítulo 14, versículos 12 a 14, relata que Lúcifer queria elevar seu trono acima do altíssimo. Em Ezequiel 28:12-17 está escrito que um querubim era perfeito em formosura, ungido para proteger, perfeito em seus caminhos desde que fora criado, até que se achou iniquidade nele.
Essas duas passagens são a base bíblica da queda de Lúcifer e explicam que ele caiu porque quis ser maior ou, no mínimo, igual a Deus. O orgulho também foi um motivo da queda de Lúcifer.
E aqui vem uma informação importante: a ideia, muito comum, de que Lúcifer caiu dos céus porque não quis se curvar à criação, ou seja, ao ser humano, não está na Bíblia. A Bíblia relata que a queda se deu antes da criação.
Em verdade, o fato é simples: os anjos pecaram e caíram.
E, de acordo com a Bíblia, Deus não poupou os anjos que pecaram. Ao contrário, os lançou no inferno até o juízo final. (2 Pedro 2:4)
Independentemente do motivo da queda de Lúcifer e de quando ela aconteceu, Deus não o poupou. Deus poderia, então, ter escolhido também não poupar o homem, não remir nossos pecados, até mesmo porque Ele é soberano, todo poderoso, sem qualquer limitação em Seu agir, a não ser na Sua própria justiça.
Talvez um ponto que explique o motivo pelo qual Deus não poupou os anjos e poupou os humanos é que a rebelião de Lúcifer foi deliberada, consciente, eis que vivia nos céus, em contato direto com Deus, sem influências externas para pecar. Pecou porque sua soberba falou mais alto. Pecou porque quis ser igual ou maior do que Deus.
Os homens não.
O livro de Gênesis relata que Eva foi enganada por Satanás, na voz da serpente. Eva se descuidou do mandamento de Deus e acreditou quando a serpente disse que se comesse do fruto da vida certamente não morreria, e comeu. Adão também se descuidou e comeu.
Com isso, o pecado humano foi introduzido e, por este motivo, foi transferido para toda a humanidade, como pecado herdado, como fala em Romanos 5:12:
¹² Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
Também em Salmos 51:5 está escrito que “…em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”. E não só, em 1 Coríntios 15:21-22 fala que a morte veio por um homem e que todos morrem em Adão.
Então, se todos fomos feitos pecadores, tinha que haver um plano da salvação, para que, assim como o pecado entrou por um homem, por um homem fosse lavado, redimido, perdoado.
A paridade um pecador por um salvador demonstra a justiça de Deus. Por um pecador, muitos foram pecadores, por um Cordeiro dado em expiação, muitos foram salvos.
Não haveria necessidade de um grande plano da salvação se não houvesse o pecado. Não haveria necessidade de salvação se não estivéssemos cobertos pela imundície do mundo, de iniquidade, já que o mundo jaz no maligno. Da mesma forma que não haveria necessidade de prisão se não existisse crime e que não precisaríamos de médicos se não houvesse doença.
Se não estivéssemos repletos de maldade e iniquidade, desgarrados dos caminhos do Senhor, não precisaríamos ter sido salvos pelo cumprimento perfeito do plano por Jesus.
Antes, Deus destruiu, como fez no dilúvio, e com Sodoma e Gomorra. Agora, enviou seu filho.
Interessante notar que Deus permite aos pecadores usufruir das bênçãos concedidas por Ele. Antes de os pecadores cumprirem a sentença de morte, já que o preço do pecado é a morte, eles desfrutam dos inúmeros benefícios da criação de Deus: comida, prazeres, vestimentas, tecnologia, dinheiro, status, poder. Isso acontece em razão da graça comum de Deus, concedida a todas as pessoas, as que creem e as que não creem. Porém, essa graça comum não leva à salvação, porque não exige fé e nem transforma as pessoas.
Se fosse somente pela graça comum, Jesus não precisaria ter vindo. Não haveria plano da salvação.
A 1ª vinda de Jesus está envolvida na graça salvadora, disponível para aqueles que creem e vivem o evangelho. Isso, inclusive, é o que está escrito em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (grifos meus).
No verso 18 João continua dizendo: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
Concluindo, portanto, a presente reflexão, foi necessário que houvesse um plano da salvação para que os pecados do mundo fossem lavados na cruz do calvário, de forma que a justiça de Deus se manifestasse no castigo que deveria ter sido aplicado a nós, mas foi aplicado sobre Jesus.
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