Pecado: o que é, origem e consequências!

Esse post tem a pretensão de conversar um pouco com você, leitor, sobre o que é pecado, sua origem e as consequências. Sem achismo, sem fanatismo. Tudo com base na palavra.

O que é pecado

Deus não precisava criar os anjos e nem os humanos. O fez para que pudéssemos contemplá-lo, honrá-lo e adorá-lo.

O Teólogo Wayne Grudem explica que1:

Deus não precisava criar o homem, mas o fez para sua própria glória.
Ao analilsar a independência de Deus no capítulo 5, observamos várias passagens das Escrituras ensinando que Deus não precisa de nós nem do restante da criação para nada, mas nós e o restante da criação o glorificamos e lhe damos alegria. Já que havia amor perfeito e comunhão entre as pessoas da Trindade por toda a eternidade (João 17:5,24), Deus não nos criou por ser sentir sozinho, ou por precisar de comunhão com alguma outra pessoa.

Mesmo assim, Deuis nos criou para sua própria glória. Em nosso estudo sobre a independência de Deus, observamos que ele se refere a seus filhos e filhas desde os confins da terra como aqueles “a quem criei para minha glória” (Isaías 43:7 cf. Efésios 1:11-12).

É certo afirmar, portanto, que Deus nos criou para ter um relacionamento saudável com Ele. Era isso que os anjos tinham no céu e era isso que Adão e Eva tinham no Jardim do Éden.

Mas a comunhão desejada por Deus não é uma comunhão forçada, obrigada, imposta, sem direito de escolha. Por isso nos foi concedido o livro arbítrio, ou seja, o direito de escolher entre seguir a vontade do Pai ou não.

Quando optamos por não seguir aquilo que agrada ao Senhor, optamos, de igual modo, por pecar.

Em linhas bem simplórias, o pecado é o agir sem entender que tudo o que fazemos deve ser para honra e glória de Deus. Quando agimos não para glorificar a Deus, mas para satisfazer às nossas próprias ideias e vontades, pecamos.

Pecar é deixar de atender à lei moral de Deus.

Pecado, na concepção bíblica, não são apenas ações pecaminosas. Pensamentos e desejos do coração, contrários à vontade de Deus, também são pecado.

Ira, luxúria, cobiça, ciúmes, egoísmo, por exemplo, são pensamentos e sentimentos pecaminosos citados na bíblia (Ex 20:17; Mt 5:12; Mt 5:28; Gl 5:20)

Em 1 João 3:4 está escrito:

Qualquer que pratica o pecado, também transgride a lei; porque o pecado é a transgressão da lei.

Estudiosos citam muitas palavras no Hebraico e no Grego, constantes na Bíblia, para se referirem ao pecado. No Antigo Testamento, utililza-se termos como Hata, Ra, Pecha, Aon, Shagah, Asham, Rasha, Taah, indicando errar o alvo, perverso, transgredir, iniquidade, extraviar-se, culpado, impiedade, vaguear, etc.

No Novo Testamamento, encontramos, no Grego e no Hebraico, palavras como Kakós, Ponerós, Asebês, Énochos, Hamartia, Adikía, Anomos, Hypókrisis, significando algo ruim, mal moral, ímpio, réu ou culpado, errar o alvo, conduta errada, etc.

Interessante observar que Jesus ensinou sobre alguns pecados específicos, veja:

  • (i) Sacrilégio (Marcos 11:15-17)
  • (ii) Hipocrisia (Mateus 23:1-36)
  • (iii) Avareza (Lucas 12:15)
  • (iv) Blasfêmia (Mateus 12:22-37)
  • (v) Orgulho (Mateus 20:20-28 e lLucas 14:7-11)
  • (vi) Deslealdade (Mateus 8:19-22)
  • (vii) Ausência de Frutos (João 15:16)
  • (viii) Ira (Mateus 5:22)
  • (ix) Falta de fé (Matéus 6:25)
  • (x) Falta de oração (Luca 18:1-8)

Poderiamos citar ainda outros pecados específicos explicitados por Jesus e relatados nas escrituras, mas aqui já é o suficiente para a ideia deste texto.

É importante conhecermos os pecados citados na Bíblia para fins de aprendizado e conhecimento, até para não pecarmos por desconhecimento. Mas, não é necessário decorá-los como uma lista rígida a fim de fugir deles.

Uma forma interessante e prática de fugir do pecado é imitiar a Cristo, trazendo sempre à memória se o que estamos fazendo agrada ou não a Ele.

Lembrar que fomos feitos à imagem e semalhança de Deus, com poder de escolha entre certo e errado e que Jesus deve ser o centro de nossas vidas, é uma excelente forma de nos posicionarmos contra as vontades da carne e do ego, fugindo do pecado, de forma a nos diminuirmos para que Deus cresça e tenha o controle total.

Jesus, inclusive, deu a ordem para olharmos, vigiarmos e orarmos sem cessar. Ao cumprir essa ordem, já estaremos bem adiantados no comportamento cristão e abrindo espaço para sermos moldados, forjados conforme a vontade de Deus, percebendo a cilada do pecado e criando mecanismos de resistência e blindagem.

ORIGENS DO PECADO

O livro de Isaías, no capítulo 14, versículos 12 a 14, relata que Lúcifer queria elevar seu trono acima do altíssimo. Em Ezequiel 28:12-17 está escrito que um querubim era perfeito em formosura, ungido para proteger, perfeito em seus caminhos desde que fora criado, até que se achou iniquidade nele.

Essas duas passagens são a base bíblica da queda de Lúcifer e explicam que ele caiu porque quis ser maior ou, no mínimo, igual a Deus. O orgulho também foi um motivo da queda de Lúcifer.

Talvez você já tenha ouvido ou lido por ai que Lúcifer caiu dos céus porque não quis se curvar ao ser humano. Essa ideia não está na Bíblia. A queda se deu antes da criação.

Os anjos se rebeleram contra Deus, pecaram e caíram.

Assim, há que se considerar que o pecado aconteceu antes de Adão e Eva.

Por outro lado, a Bíblia relata que o Senhor Deus colocou o homem no Jardim do Éden e disse: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”. (Gênesis 2:16,17).

O texto sagrado narra também que Eva foi enganada pela serpente, comeu do fruto, deu do fruto proibido para Adão e então foram expulsos do paraíso, com todas as consequências que a maioria de nós já conhece.

Já em Romanos 5.12, está escrito: “portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”

Da leitura desses textos parece muito claro que o pecado surgiu ali, na conduta de Eva e Adão de desobecerem a Deus. Tanto que o texto fala que por um homem entrou o pecado no mundo.

Embora pareça uma contradição bíblica, o caso não passa de conflito de interpretação.

O pecado dos anjos afetou apenas os próprios anjos pecadores.

Como Adão era o cabeça, o representante legal e espiritual de toda a humanidade, o pecado que cometeu deixou consequências para todos, como pecado herdado, conforme se lê em Romanos 5:12.

É por conta dessa consequência generalizada que se diz que pela conduta errada de Adão o pecado entrou no Mundo. O alcance foi generalizado, afetando o mundo de forma ampla.

Portanto, embora, inicialmente e anteriormente os anjos tenham pecado, o pecado entrou no mundo por Adão.

Inclusive, esse esclarecimento traz à tona uma característica Bíblica que sustenta a sua veracidade: a inerrância bíblica.

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO


O pecado afasta o pecador da comunhão com Deus, como está escrito em Isaias 59:2:

Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

O pecado afasta também a comunhão do pecador com a igreja (1 João, 1:3,6,7)

Há perda de alegria (João 15:10-11)

¹⁰ Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.
¹¹ Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.

Como se vê pelo texto, o gozo da vida só é completo se permanecermos no amor de Jesus, guardando os mandamentos de Deus Pai. Ao pecarmos, descumprimos a ordem, desagradamos a Deus e perdemos a alegria da plenitude em Jesus.

O texto de 1 João, no capítulo 2, ensina que aquele que guarda a palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente. A passagem diz também que as trevas vão passando e a verdadeira luz ilumina, mas, aquele que diz que está na luz, mas odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.

Deste capítulo podemos concluir que umas das consequências do pecado é andar em trevas, na escuridão, sem saber para onde deva ir porque as trevas cegaram os olhos.

O Apóstolo Paulo, em Efésios 4, escreveu um verdadeiro manual de vida, dizendo, inclusive, para não entristecermos o Espírito Santo de Deus (v. 30). Além de óbvio, está escrito que o pecado enstristece o Espírito Santo de Deus.

E não acaba ai, os cristãos que permanecem no pecado podem ser disciplinados por Deus (Hebreus 12:5-11) e sofrerem consequências mais drásticas, como doenças e morte (1 Corintios 11:30).

Por fim, a consequência mais conhecida e divulgada do pecado, a morte física, como está escrito em Romanos 6:23.

Em outro texto abordarei se o pecado pode separar, definitivamente, o cristão de Deus ou se será possível perder a salvação.

conclusão

Que este post tenha sido esclarecedor e que possa ter agregado conhecimento. Que o Espírito Santo de Deus possa ter desvendado seus olhos e te mostrado informações ainda não conhecidas, com clareza e objetividade, de forma a entender, biblicamente, o que é o pecado, a sua origem e suas consequências.

Mais do que entender o pecado, que o Espírito Santo possa nos guiar por um caminhão de prevenção, de vigilância ativa e oração constante, de forma a guardar os mandamentos de Deus com amor e dedicação, sendo luz onde há trevas.

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  1. Teologia Sistemática ao Alcance de Todos, 2024, pg. 277 ↩︎

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