Mateus – o evangelho do rei

PARTE 1. LINHAGEM DE JESUS

Cada evangelho, mesmo retratando, na essência, os mesmos pontos, relata Jesus e seu ministério com um enfoque diferente. Mateus, por exemplo, retrata Jesus como o Rei, aquele que é nascido Rei dos Judeus.

Nas monarquias seculares a realeza era hereditária ou eletiva. Em ambos os casos, principalmente nas hereditárias, que eram a mairia, exigia-se que o futuro rei fosse da linhagem real. Era comum, em algumas monarquias, até mesmo se omitir algumas pessoas da árvore genealógica, de forma que não se manchasse ou colocasse sob suspeita essa linhagem.

Mateus, no capítulo 1, verísculo 1, diz: “¹ Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”.

Esse pequeno versículo demonstra um cuidado todo especial de Mateus ao reafirmar a grandeza, o poder, e a realeza de Jesus. Com essas breves palavras, Mateus está afirmando a realeza de Jesus, dizendo que ele é filho de Davi, e afirmando que o mesmo pacto que Deus fez com Abraão, ele fez com todos nós, através de Jesus Cristo.

Em Gn 12:1-3,  está escrito:

¹ Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

² E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.

³ E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Em 2ª Samuel 7:12-15, está escrito:

¹² Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.

¹³ Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.

¹⁴ Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.

¹⁵ Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.

Nessa passagem, a Palavra está dizendo que quando o Rei Davi se for, virá Um após ele, Jesus Cristo, que será Rei para sempre.

A Palavra de Deus, escrita por Mateus, revela, portanto, que Jesus é o Rei, o Messias aguardado, filho de Davi e filho de Abraão.

Inclusive, em algumas passagens bíblicas Jesus era interpelado como Jesus, filho de Davi, parava e realizava um milagre. Quando alguém o chamava assim, estava, justamente, reconhecendo sua realeza.

PARTE 2. O NASCIMENTO DE JESUS COMO REI

Na teologia há um distinção sobre a revelação de Deus, que pode ser comum ou especial. A revelação comum é direcionada a todoas as pessoas, não exige fé e nem produz salvação. A criação do mundo, os alimentos, a medicina, a ciência no geral, tecnologia humana, tudo isso demonstra o poder de Deus e pode ser desfrutado por todos.

Já a revelação especial de Deus é diferente. Ela acontece de diversas formas, de acordo com a vontade de Deus, para os que creem e são escolhidos. Quando é a aparição do próprio Deus é considerada Teofania, quando é um anjo, agelofania.

Falar do nascimento de Jesus envolve a Revelação Especial de Deus, porque o anjo aparece a José em sonho e revela que Maria conceberia um filho, Jesus, pelo Espírito Santo.

É incrível, inclusive, a forma humana e divina de Jesus já no seu nascimento. Nasceu de uma humana, mas virgem, concebida pelo Espírito Santo, e sem herdar os pecados dos homens. Nascer de uma humana gerou proximidade dos humanos, e nascer de forma divina, concebido pelo Espírito Santo, gerou a autoridade divina de Jesus.

Já no capítulo 2, no verso 1, Mateus diz que Jesus nasceu em Belém da Judeia, no tempo do Rei Herodes.

O Rei citado em Mateus 2:1 é o Herodes I, o Grande. Acontece que a história secular fala que ele morreu em 4 a.C. Como poderia então, Jesus ter nascido em sua época? Como pode Herodes ter determinado o extermínio dos inocentes, crianças de até 2 anos de idade?

A divisão do calendário em a.C e d.C ocorreu no século VI, mais ou menos no ano 525 d.C, por um monge cristão chamado Dionísio, o Pequeno. Como se vê, são 500 anos de diferença, motivo pelo qual afirma-se ter havido um erro temporal no calendário, o que gera esse aparente erro da Bíblia. Na verdade, se há algum erro, pode-se dizer é secular, não bíblico.

Alguns poderiam dizer, porque a ciência erra e não a Bíblia? Basta pensarmos na história da Terra e do Sol. A ciência, por muitos anos, afirmou que o Sol girava em torno da Terra. Depois Nicolau Copérnico, no Século XVI, afirmou e comprovou o contrário, que era a Terra que girava ao redor do Sol.

Dando sequência no estudo, Mateus relata que, tendo nascido Jesus, os magos perguntaram onde estava aquele que era nascido rei dos judeus e, ouvindo isso, o rei Herodes se perturbou e toda a Jerusalém com ele.

Aqui, novamente, é preciso fazer uma interpretação histórica.

Antes de se tornar rei, Herodes morava na Judeia e Antígona a invadiu, obrigando-o a se refugiar em Roma. Como Herodes tinha feito amizade com o Militar e Político Marco Antônio, recebeu, em Roma, a realeza da Judeia, invadindo-a com auxílio do exército romano e derrotando Antígona.

A Herodes I, o Grande, são atribuídas características de tirania, dureza e crueldade. A ele também são atribuídas obras arquitetônicas como o aqueduto de Cesárea e a reconstrução do 2º Tempo de Jerusalém.

Vejam, portanto, o poder que esse rei possuía. E mesmo assim, ao ouvir dos magos, que era nascido aquele que era Rei dos judeus, Herodes se perturbou, assim como toda a Jerusalém.

Herodes sentiu ameaçada sua autoridade e seu poder pelo nascimento de um líder messiânico, o que gerou a primeira perseguição de Jesus.

Como se vê, Mateus afirma, já no capítulo 2, que Jesus é aquele que é nascido Rei dos judeus, deixando escrito, mais uma vez, a autoridade e a realeza de Jesus, conforme, inclusive, as profecias que se cumpriam com o nascimento do novo rei.

Para finalizar esse tópico, mais uma vez houve revelação especial de Deus a José, aparecendo o anjo do Senhor em sonho para ele e determinando seu retorno para Jerusalém, que já eram mortos os que perseguiam Jesus.

PARTE 3. O ARAUTO DO REI

O livro de Malaquias é o 39ª livro da Bíblia, último do antigo testamento. Nessa época os judeus já não cumpriam suas obrigações, pois não faziam corretamente os sacrifícios que deveriam fazer a Deus. O pecado tomou conta mais uma vez do povo. Alguns homens estavam sendo infiéis às esposas, a população não praticava o dízimo da forma certa e os sacrifícios estava sendo feitos de forma inapropriada, com animais doentes, embora a lei exigisse animais saudáveis. Também os sacerdotes estavam desviados do caminho, servindo de exemplos ruins para a população.

O profeta Malaquias se esforçava para levar a palavra do Senhor para os judeus.

Outro ponto importante é que o profeta Malaquias mostrava também que um mensageiro de Deus viria para preparar o caminho para o Messias, como está escrito em Ml 3:1:

¹ Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.

Nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, esse mensageiro foi João Batista. Nos prendendo apenas em Mateus, objeto desse 1º estudo, está escrito no capitulo 3:1-3.

¹ E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judeia,

² E dizendo: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.]

³ Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Diz-se, portanto, que João Batista foi o Arauto de Jesus.

Nas monarquias, um Arauto era o encarregado de anunciar leis, decisões, declarações de guerra ou paz, etc. Na fé cristã, arautos são mensageiros que anunciam a fé ou preparam o caminho para uma figura importante. Para nosso estudo, como já dito, os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, convergem para o fato de que o Arauto do Rei Jesus foi João Batista.

João Batista tinha a missão de pregar o arrependimento e a conversão, preparando o coração das pessoas para o Messias que traria o Reino de Deus. Ele batizava com água, enquanto seu sucessor, o rei anunciado, batizaria com fogo e com o espírito. Mt 3:11.

¹¹ E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.

Está escrito em João 1:32-34:

³² E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

³³ E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

³⁴ E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

As manifestações públicas de João Batista foram um Manifesto de que Jesus era o Rei Messiânico Esperado, aquele que era nascido rei dos Judeus, o Cordeiro de Deus.

4. O TRIUNFO DO REI

Jesus venceu a morte e o pecado. Venceu as trevas. Mas, seu triunfo como o Rei não foi só vencer o pecado e a morte, foi nos permitir vencermos com Ele, através do pacto de sangue na cruz do calvário.

Em João 8:28 está escrito:

²⁸ Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas estas coisas falo como meu Pai me ensinou.

Esse versículo é uma referência clara de Jesus à sua crucificação e exige uma atenção especial, inclusive de  interpretação hermenêutica, para que se alcance o verdadeiro sentido do que Jesus afirmou.

E a resposta está em Mateus. Primeiro, Pôncio Pilatos interroga Jesus: ¹¹ És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. Mt 27:11.

Depois, a mando de Pilatos, por cima da cabeça de Jesus, na cruz, puseram escrita a sua acusação: este é Jesus, o rei dos judeus (Mt. 27:37).

A inscrição foi feita como uma zombaria no mundo natural, mas, na verdade, foi o cumprimento da promessa, da profecia, o triunfo de Jesus como o Rei. Aquele que foi nascido o Rei dos Judeus, que venceu o pecado, a morte e as trevas.

A acusação de Jesus escrita na cruz, acima de sua cabeça, em três idiomas, revelou, de maneira espiritual e sobrenatural, aquilo que a Bíblia falava sobre Ele.

A ironia de Pilatos foi, na verdade, uma declaração insuspeita no mundo espiritual a respeito da realeza e verdadeira identidade de Jesus como Rei.

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